05/10/2026

Agentes de IA avançam sobre processos bancários. Especialista destaca prevenção

Avanço de agentes capazes de acessar sistemas, dados e executar ações exige que instituições financeiras ampliem controles de identidade, monitoramento e resposta a incidentes. DataRunk, especialista em cibersegurança, lista boas práticas para a preservação da continuidade, confiança e governança das operações.

A inteligência artificial está avançando rapidamente dentro dos bancos brasileiros, conectando cada vez mais  infraestrutura e processos das instituições. Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, os bancos pretendem investir cerca de R$ 3 bilhões em Inteligência Artificial, Analytics e Big Data neste ano, 8% a mais que em 2025. A adoção de agentes de IA ajuda a explicar essa nova etapa. A pesquisa mostra que 16% das instituições já utilizam agentes em larga escala, 36% em pequena escala e 16% estão em fase de experimentação.

A evolução traz ganhos de eficiência, mas também muda a superfície de risco que precisa ser protegida. Especialmente com a adoção de agentes de IA, capazes de consultar documentos, acessar aplicações, alcançar dados, utilizar credenciais, chamar APIs e executar tarefas, um incidente pode ultrapassar a camada do modelo e chegar a sistemas e processos críticos do negócio.

Para Roberto Mendes, CEO da DataRunk, empresa especializada em inteligência aplicada à cibersegurança, a mudança exige que a segurança acompanhe não apenas o acesso à IA, mas todo o caminho percorrido por ela dentro da operação.

“Quando a IA passa a interagir com sistemas críticos, é preciso entender quais dados foram acessados, quais dados e ferramentas foram utilizadas, qual ação foi executada e se aquela ação fazia sentido naquele contexto. Quanto mais autonomia damos à tecnologia, maior precisa ser a capacidade de enxergar e responder ao que ela está fazendo. Isso é fundamental para garantir a segurança, a governança e a antecipação de riscos”, explica.

Como proteger a operação

Na avaliação da DataRunk, um dos primeiros passos é mapear os agentes e aplicações de IA existentes, identificando responsáveis, sistemas aos quais estão conectados, dados acessados, ferramentas disponíveis e grau de autonomia. A partir desse inventário, cada agente deve operar com identidade própria e privilégios mínimos, evitando acessos desnecessários a ambientes críticos.

Outra frente que deve estar no radar é o monitoramento da IA durante sua execução. Em vez de observar somente prompts e respostas, a instituição precisa correlacionar essas informações com identidade, chamadas de APIs, credenciais, aplicações, transações e outros eventos de negócio. Essa integração permite identificar, por exemplo, uso de credenciais privilegiadas fora do fluxo previsto, acesso a uma fonte de dados incompatível com a função do agente ou alterações críticas sem aprovação.

"Operações de maior impacto também devem contar com limites claros de autonomia e validação humana. Movimentação de informações sensíveis, alterações em sistemas críticos, uso de privilégios elevados e transações financeiras estão entre as ações para as quais a DataRunk recomenda critérios adicionais de autorização", reforça Roberto.

Por fim, o executivo ressalta que a segurança precisa estar preparada para detectar e responder em tempo real, conectando informações técnicas ao contexto do negócio. É nesse contexto que o Cyber Fusion Center ganha relevância como evolução do SOC. 

Além de detectar e responder a incidentes técnicos, ele relaciona eventos de segurança a transações, comportamentos, fraudes e sinais de engenharia social. Com isso, a instituição consegue identificar tanto uma invasão quanto situações em que clientes ou colaboradores são manipulados a realizar ações aparentemente legítimas, avaliando o impacto e a resposta a partir do contexto do negócio. Na DataRunk, essa evolução se materializa no DataRunk BSOC. 

“O desafio não é impedir que a IA chegue ao core das operações, porque esse movimento já está acontecendo. O ponto é garantir que a segurança evolua junto. A instituição precisa saber o que seus agentes podem fazer, acompanhar o que efetivamente estão fazendo e ter capacidade de interromper rapidamente um comportamento que saia do esperado”, completa o CEO da DataRunk.

De acordo com a Febraban, o tema é um dos principais pontos de discussão do setor e foi destaque em eventos recentes do setor, como o Mind The Sec 2026. Atualmente, 80% das instituições vêem a segurança e a experiência do cliente como principais ações para diferenciação no mercado.

 


Legenda: Roberto Mendes, CEO da DataRunk
Créditos: Daniel Zimmermann
Legenda: Agentes de IA avançam sobre processos bancários. Especialista destaca prevenção
Créditos: Daniel Zimmermann