Aniversário de Blumenau: Figueira homenageia cidade com ação especial dedicada ao clássico churrasco de igreja
Tradicional restaurante celebra os 176 anos do município resgatando um dos cortes mais tradicionais do Sul do Brasil

Para celebrar o aniversário de 176 anos de Blumenau, comemorado em 2 de setembro, o Restaurante Figueira preparou uma homenagem ao corte que atravessa gerações nos churrascos de igreja da cidade: o filé duplo. A iniciativa especial inaugura na noite desta quarta-feira (02), e se repete durante todas as sextas e sábados do mês, no horário do almoço. A ação é um convite para os moradores saborearem um dos pratos mais emblemáticos da tradição gastronômica regional.
A iniciativa dá sequência a um tributo que já é costume no Figueira. No ano passado, o aniversário de Blumenau foi celebrado com cuca no restaurante, em um movimento realizado em parceria com a famosa Confeitaria Dona Hilda. Para este ano, a escolha recai sobre um prato salgado e profundamente ligado à identidade de Blumenau e do interior catarinense.
O que é o filé duplo
O filé duplo é um corte bovino com osso que reúne, em uma única peça, o contrafilé, o filé mignon e uma parte da fraldinha. O osso da espinha dorsal fica no meio, lembrando uma chuleta larga. A combinação resulta em texturas e sabores diferentes em cada fatia, o que faz do corte um dos mais apreciados nos churrascos tradicionais do Sul do país.
Tradicionalmente, o churrasco de festa de igreja é deixado marinando por no mínimo um dia inteiro antes de ir à grelha. No Figueira, o preparo seguirá a receita clássica: a carne é marinada por 24h em uma mistura de suco de limão, cebola cortada em rodelas, sal e água suficiente para mantê-la submersa. O resultado é uma carne suculenta, garantida pelo osso, pela capa de gordura e pela variedade de fibras do corte.
Como funcionará a ação no Figueira
Durante o período da ação no Restaurante Figueira, o filé duplo será servido com os mesmos acompanhamentos que já fazem parte do cardápio da casa, com opção de quatro escolhas entre: salada (tradicional, manara, tomate especial, primavera, verde ou americana), arroz (branco, cebola crispy, alho, ou alho e brócolis), batata (maionese da casa, fritas, rústicas 4 queijos, fritas mineirinha, rústicas com páprica, ou polenta frita) e farofa (de bacon ou de banana).
O prato custará R$ R$196,00. O horário de funcionamento do Figueira é das 18h30min até 0h. A única exceção é no sábado, quando o restaurante abre apenas às 19h. Nas sextas, sábados e domingos a casa abre também para o almoço, das 11h30min às 14h30min.
"O filé duplo é um corte muito apreciado em Blumenau e região. Os churrascos de igreja até hoje são muito frequentados por aqui, é um costume forte da população se reunir em festas comunitárias, com grandes mesas, bancos e brincadeiras, num momento de celebração e apreciação gastronômica. Foi pensando nisso que decidimos trazer o prato para o Figueira, como uma homenagem aos blumenauenses neste aniversário da cidade", pontua o chef Caio Fontenelle, proprietário do restaurante.
Origem do "churrasco de igreja"
O apelido de "churrasco de igreja" é uma herança histórica da imigração europeia no Sul do Brasil. Com a colonização italiana e alemã na região, os costumes trazidos da Europa, entre eles as festas realizadas nas igrejas, se incorporaram ao cotidiano das comunidades locais.
Como as famílias imigrantes eram numerosas e tinham poucos recursos para comprar carne com frequência, o prato era reservado para ocasiões especiais e servido principalmente nas quermesses promovidas pelas igrejas, eventos que arrecadavam fundos para expansão das paróquias e outras causas da comunidade. Nessas festas, o churrasco costumava vir acompanhado da própria cebola usada na marinada e de pão francês, às vezes também de maionese de batata, pepino em conserva e salada de tomate com cebola.
A marinada tem origem numa preparação alemã chamada sauerbraten, um assado de carne fortemente temperada, usado na Alemanha para conservação do alimento antes da existência de refrigeradores, geralmente à base de vinho tinto, vinagre de maçã, ou uma combinação dos dois. Ao chegar ao Vale do Itajaí, a receita foi adaptada pelos imigrantes. O vinho e o vinagre deram lugar ao suco de limão, fruta abundante na região. A forma de cozinhar a carne também mudou, na Alemanha não era comum grelhar as carnes como se passou a fazer no Sul do Brasil.