Casal vende bens materiais e aposta em vida mais consciente
"O material tem que nos servir, e não nós servirmos ao material", conta Mauro Koch, que ao lado da esposa Fabiana repensou o estilo de vida que levava

Depois de anos dedicados ao trabalho e à rotina profissional de forma acelerada e às vezes mais intensa do que o ideal, o casal Mauro e Fabiana Koch decidiu viver uma experiência de um ano viajando pelo mundo. A viagem estendida por dez países não trouxe apenas novas culturas para a bagagem, mas também uma mudança profunda na forma como enxergam consumo, prioridades e qualidade de vida.
Antes da viagem, os dois, que trabalham juntos com mentoria de vida e liderança, tomaram a decisão de vender grande parte dos bens que possuíam. “Os filhos já haviam se casado e saído de casa, então percebemos que aquele espaço já não era mais tão necessário, ainda mais levando em consideração que tínhamos um apartamento em outra cidade. A ideia foi simplificar a vida e principalmente levantar recursos para a viagem, então fizemos uma espécie de bazar para vender muitos dos móveis e eletrodomésticos”, contam.
Uma estudo publicado em 2020 no Journal of Experimental Social Psychology apontou que gastar em “fazer”, isto é, em experiências, traz maior felicidade do que gastar em “ter”, ou seja, em bens materiais. A história dos dois segue a tendência que tem aparecido cada vez mais em pesquisas e se tornado tema de debates entre especialistas, em que as pessoas têm priorizado cada vez mais experiências a bens materiais.
O processo de desapego acabou se tornando também uma oportunidade de troca com outras pessoas. Muitos dos compradores, segundo o casal, demonstraram sentir que estavam participando da realização daquele projeto de vida. “Percebemos que as pessoas estavam felizes em comprar algo porque sabiam que estavam contribuindo para que o nosso sonho acontecesse”, lembra Fabiana.
Mesmo durante a viagem, o trabalho não parou. Mauro e Fabiana seguiram conduzindo mentorias e compromissos profissionais de forma on-line, adaptando a agenda para continuar atendendo clientes enquanto exploravam diferentes lugares. A experiência, segundo eles, ampliou ainda mais a visão de mundo.
Hoje, a casa do casal reflete essa nova forma de pensar o consumo. Com menos objetos e mais consciência sobre o que realmente é necessário, eles dizem que passaram a valorizar ainda mais experiências e relações. “É claro que o material é importante. Meditar no ar-condicionado é muito mais fácil do que meditar sob o sol forte. Mas percebemos cada vez mais que o material tem que nos servir e não nós servirmos ao material, sermos escravos dele. Fazer escolhas conscientes, essa é a grande mensagem que queremos passar para as pessoas. Percebemos que menos é mais. Hoje em dia, quando compramos alguma coisa, é porque é realmente uma necessidade”, finaliza Mauro.