Certificações vão além da segurança e levam indústrias a novos negócios
Processos de avaliação e desenvolvimento de produtos que cumprem requisitos internacionais abrem portas para o crescimento de negócios e ajudam a diferenciar o portfólio. Empresas brasileiras destacam experiência e ganhos com essa aposta
Em setores nos quais a segurança é um requisito fundamental, desenvolver um bom produto já não é suficiente. Segundo a UL Solutions, uma das principais organizações globais de ciência da segurança, os processos de certificação permitem demonstrar conformidade com requisitos aplicáveis, reduzir riscos e gerar confiança nos mercados, inclusive facilitando o acesso a novos mercados. No Brasil, o próprio Inmetro estabelece mecanismos de avaliação da conformidade para diferentes categorias de produtos e serviços.
Um exemplo de indústria que investiu em certificação mesmo quando no Brasil não havia essa obrigação é a Segurimax, fabricante brasileira de equipamentos de segurança e combate a incêndio. A marca foi pioneira na importação e, em seguida, na fabricação de luminárias de emergência de LED no país e os desafios que enfrentou para a durabilidade do produto incentivaram a busca de critérios mais seguros. Junto com a UL Solutions, realizou um amplo processo que envolveu pesquisa, testes e até uma viagem técnica à China para compreender tecnologias e processos produtivos que pudessem contribuir para uma solução adequada ao mercado brasileiro. Foi a partir dessa iniciativa que as luminárias de emergência de LED passaram a contar com certificação e dar ao consumidor mais tranquilidade quanto à proteção e longevidade do produto.
Segundo Regenildo Magalhães Bessoni, diretor comercial da Segurimax, o desenvolvimento também partiu de uma dificuldade bastante prática: como ajudar o consumidor a entender qual luminária era adequada para cada ambiente? “O consumidor não tinha como saber se determinado modelo proporcionaria a iluminação necessária para o seu ambiente. Além das pesquisas de durabilidade, realizamos testes de cobertura, medindo espaços com fita métrica e verificando o desempenho dos diferentes modelos. A experiência ajudou a transformar uma especificação essencialmente técnica em uma informação mais compreensível para o consumidor”, destaca.
Essa simplificação teve impacto especialmente no varejo e em home centers, onde o comprador nem sempre conta com auxílio especializado. Ao apresentar de maneira mais objetiva a metragem indicada para cada modelo, tornou-se mais fácil comparar alternativas e escolher a luminária adequada. Além disso, o consumidor tem mais segurança de que o produto será eficiente em momentos cruciais, como evacuações e saídas seguras em casos críticos.
Segurança para aplicações cada vez mais críticas
A mesma busca por padrões técnicos mais elevados acompanha a evolução das portas corta-fogo para ambientes críticos. A Portex, fabricante brasileira especializada no segmento, desenvolveu soluções voltadas especificamente a data centers, ambientes nos quais a proteção precisa conviver com exigências elevadas de controle de acesso, vedação, confiabilidade e continuidade da operação.
Entre as soluções da companhia está uma porta corta-fogo para data centers desenvolvida de acordo com requisitos nacionais e internacionais. O modelo Data Center 03, por exemplo, segue referências como NBR 11742, NFPA 80 e UL-BR e utiliza componentes certificados pela UL. A solução pode ser aplicada em estruturas Enterprise, Colocation, Hyperscale, Edge e Internet e possui versões com resistência ao fogo de até 120 minutos. A busca pela certificação garantiu que a empresa se tornasse pioneira no mercado brasileiro, tornando-se a única opção nacional certificada para este tipo de projeto.
O desenvolvimento de produtos na Portex também passou por questões que aparentemente estavam fora da engenharia de segurança. Uma delas era o transporte: como saíam prontas para instalação da fábrica, os produtos muitas vezes sofriam avarias durante o deslocamento, gerando devoluções, retrabalho e custos adicionais.
A resposta veio da observação de produtos de outros segmentos. “A empresa passou a estudar uma estrutura que permitisse transportar componentes de maneira mais eficiente e com sistema de encaixe, além de adotar soluções como chapas pré-pintadas e protegidas por película. O novo desenho reduziu o espaço necessário para armazenamento e transporte e, segundo a companhia, levou a incidência de avarias a níveis próximos de zero”, detalha Abner Garcia, diretor da Portex. Além de evitar devoluções, a resolução garante que as portas sejam instaladas com 100% das especificações técnicas intactas, evitando que um produto seja instalado mesmo com leves avarias, o que pode prejudicar o desempenho em combate a incêndios.
Para ambas as empresas, o investimento em qualidade e segurança garantiram uma experiência mais positiva para o cliente, a integridade de um equipamento e a diferenciação de mercado. O investimento em pesquisa e desenvolvimento no quesito certificação também foi decisivo para preparar as indústrias brasileiras para competir em mercados cada vez mais técnicos e especializados. A estratégia de investimento abriu novos mercados e ajudou a moldar processos hoje fundamentais para dar ao consumidor a opção de produtos nacionais regulamentados e de alta resistência.