Como a inovação transformou o centro histórico de Recife e inspira cidade de SC
Temática foi abordada por Silvio Meira, fundador do Porto Digital, distrito de inovação com 171 hectares em Recife, durante palestra no Centro de Inovação Blumenau (CIB)

A inovação é capaz de recuperar cidades, fortalecer economias e criar ambientes que atraem talentos, empresas e novas oportunidades. É isso que mostra a história do Porto Digital, maior distrito de inovação da América Latina, que fica no centro histórico de Recife (PE). Silvio Meira, um dos idealizadores do espaço, esteve no Centro de Inovação Blumenau (CIB) para compartilhar sua visão sobre o assunto.
O encontro também marcou a assinatura do contrato de gestão do Distrito de Inovação de Blumenau (DIB), que será administrado pelo Instituto Gene.
Durante a palestra, Meira relembrou que o distrito nasceu em um momento em que a região do Porto de Recife enfrentava um cenário de degradação após a perda de relevância perante o Porto de Suape, com graves problemas sociais e urbanos. A iniciativa surgiu da visão compartilhada entre o professor universitário e o engenheiro-urbanista Claudio Marinho, que acreditava que a inovação poderia devolver vida ao bairro histórico. Fundado em 2000, o distrito já recuperou 230 mil metros quadrados de imóveis e prédios históricos, que ganharam novo propósito e hoje abrigam mais de 24 mil colaboradores e 540 empresas embarcadas.
Apesar disso, a proposta nunca foi apenas revitalizar edifícios, mas criar um ambiente capaz de atrair pessoas, conhecimento e negócios. “Não é sobre prédios, é sobre pessoas”, resumiu Meira. Segundo ele, cerca de 40% das pessoas que se mudam para uma cidade para estudar permanecem nela por pelo menos cinco anos, seja por trabalho, relacionamento ou rede de contatos. Por esse motivo, toda cidade que tem universidades de boa qualidade atrai mais talentos.
Outro ponto enfatizado foi a necessidade de pensar o desenvolvimento em longo prazo. Segundo ele, o Porto Digital foi concebido como uma estratégia de pelo menos 50 anos e começou de forma modesta, com apenas cinco empresas e 46 pessoas. “Como é uma cidade muito antiga, qualquer coisa que você for fazer em Recife que não seja um esforço de um século dificilmente produzirá grandes resultados”, afirmou.
Meira também destacou a importância da colaboração para o fortalecimento dos ecossistemas de inovação. “Cooperação é não atrapalhar. Colaboração é trabalhar junto por um objetivo comum”, definiu, ao defender a integração entre universidades, empresas, poder público e sociedade.
Ao falar sobre o futuro dos ambientes de inovação, ele explicou que os territórios evoluem de polos para ecossistemas e, posteriormente, para distritos de inovação, à medida que ampliam sua capacidade de conexão e geração de oportunidades. Para isso, reforçou, é preciso construir projetos consistentes, capazes de atravessar gerações e transformar cidades.
Agora, é a vez de Blumenau (SC), seguir caminho semelhante com o seu Distrito de Inovação, que será o segundo do Brasil. A Prefeitura assinou o contrato de gestão do DIB com o Instituto Gene no último dia 23 e planeja consolidar o local como o principal polo de inovação urbana e tecnológica do estado. O Instituto Gene será responsável por conectar empresas, universidades, centros de pesquisa, poder público e sociedade civil para desenvolver projetos de inovação, promover eventos, estimular parcerias entre grandes empresas e startups, atrair novos negócios e criar oportunidades para quem deseja empreender ou trabalhar com tecnologia e inovação.
Udo Schroeder, presidente do Instituto Gene, destaca que o DIB representa uma Blumenau ainda mais inovadora, conectada, competitiva, e capaz de transformar conhecimento em oportunidade. “Nada disso teria sentido se o produto final não beneficiasse as pessoas. Estamos aqui para construir conexões, ampliar nossa visão e fortalecer uma agenda que depende da participação de todos”, afirmou.