Consumo de tapioca cresce no Brasil e pressiona indústria a investir em automação
Representatividade desse derivado da mandioca passou de cerca de 3% para mais de 10% do volume comercializado na indústria de fécula em duas décadas. Estrutura da cadeia produtiva ainda é um gargalo a ser superado pelo setor
O aumento do consumo de tapioca vem ajudando a transformar o papel da mandioca na indústria alimentícia brasileira. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abam), mostram que a produção nacional de fécula atingiu 689,3 mil toneladas em 2024, 10,4% a mais que no ano anterior. Desse total, mais de 640 mil toneladas foram destinadas ao consumo interno, sendo a tapioca umas das principais formas de uso.
No início dos anos 2000, o produto representava cerca de 3% das vendas na indústria de fécula, hoje, já ultrapassa 10%, segundo o Cepea. Além de refletir uma tendência de consumo, impulsionada por dietas sem glúten e pelo apelo de alimentação saudável, esse crescimento também gera um novo desafio para o setor produtivo.
Com a demanda em alta, a indústria passa a lidar com gargalos que vão da colheita (ainda manual em algumas regiões), à padronização, eficiência operacional e segurança alimentar e, com isso, o investimento em automação se torna cada vez mais importante.
Do ponto de vista industrial, para empresas como a Selgron, que desenvolve soluções em automação para a etapa final de produção, o momento é de transformação estrutural do setor. “O crescimento do consumo da tapioca não é mais pontual, ele exige uma indústria preparada para produzir com regularidade, qualidade e rastreabilidade. A automação entra justamente para dar esse suporte e permitir que as empresas acompanhem esse ritmo”, afirma Diogo A. Hank, coordenador de vendas da companhia brasileira.
De acordo com ele, a automação tem sido aplicada de forma estratégica, principalmente no chamado “final de linha”. Soluções que integram alimentação, dosagem, empacotamento, controle de peso, detecção de metal, agrupamento, encaixotamento e paletização dos produtos, tornando o processo mais fluido e confiável, reduzindo perdas, retrabalho e interferências operacionais.
Além dos ganhos de produtividade, há impactos diretos na qualidade e na segurança dos alimentos. Hank explica que sistemas automatizados permitem maior controle sobre variáveis críticas, garantindo padronização e conformidade com normas do mercado. “Automatizar não é só produzir mais, é também produzir melhor, dar previsibilidade ao processo e segurança alimentar ao consumidor”, completa.