19/10/2026

Criança em casa? Especialista alerta para riscos elétricos que os pais esquecem

Engenheiro eletricista e CEO da P3 Engenharia, Jones Poffo, explica como tomadas, carregadores e áreas molhadas podem virar risco para os pequenos

Quem tem criança em casa sabe que basta um segundo de distração para a curiosidade encontrar o perigo. E, quando o assunto é eletricidade, muitos riscos estão em objetos tão comuns que passam despercebidos na rotina da família. Na altura dos olhos e das mãos dos pequenos estão tomadas, cabos e carregadores, que merecem atenção redobrada. Segundo o engenheiro eletricista e CEO da P3 Engenharia, Jones Poffo, muitos acidentes domésticos poderiam ser evitados com informação correta e algumas adaptações simples.

Tomadas baixas

As tomadas instaladas até cerca de 50 centímetros do piso ficam ao alcance de bebês e crianças pequenas, que tendem a explorar o ambiente com as mãos e a boca. Clipes, chaves, talheres e brinquedos metálicos podem ser enfiados nos orifícios, o que causa choque por contato direto.

“A solução mais simples é usar protetores de tomada certificados, daqueles firmes, que só saem com pressão ou giro e que a criança não consegue remover. Onde for possível, também vale posicionar móveis pesados em frente aos pontos de energia mais baixos”, orienta Jones. Ele lembra que o plugue brasileiro, com pinos mais afundados no encaixe, já dificulta o contato com partes energizadas, mas não elimina o risco.

Carregador na tomada

Deixar o carregador do celular ligado depois de usar é um hábito comum, mas que merece atenção. Com o carregador conectado, a ponta do cabo continua energizada. A criança pode levá-la à boca ou manuseá-la com as mãos úmidas e levar um choque. 

“Terminou de carregar? Tire o carregador da tomada e guarde o cabo fora do alcance das crianças. É um gesto de segundos que elimina um risco”, diz o engenheiro.

A recomendação vale também para o uso dos aparelhos. O especialista reforça que crianças não devem usar tablets e smartphones enquanto estão carregando na tomada.

Água e eletricidade

Água conduz eletricidade, e a pele molhada reduz a resistência do corpo ao choque. Por isso, as crianças não devem usar aparelhos elétricos nem carregadores perto de pias, banheiras, duchas ou piscinas. A orientação também se estende ao dia a dia, não é indicado abrir geladeiras ou freezers descalço e jamais encostar em eletrodomésticos com o corpo molhado.

“Em casas com piscina, é muito comum a criança sair da água e correr para abrir a geladeira. É justamente nessa hora que o risco de choque aumenta”, alerta Jones. 

Fios soltos, extensões e aparelhos quentes

Cabos espalhados pelo chão convidam a criança a puxar, e o aparelho ligado do outro lado pode cair sobre ela, por isso, a orientação é mantê-los fora do alcance. Além disso, o excesso de adaptadores (“benjamins”) em uma única tomada sobrecarrega a fiação e aumenta o risco de aquecimento e curto-circuito. 

“É importante também se atentar a ferros de passar, secadores, chapinhas e outros aparelhos que continuam quentes por um bom tempo depois de desligados. Eles devem ser guardados em locais altos, fora do alcance dos pequenos. Em casas de praia ou de campo, onde as crianças circulam com mais liberdade, vale também uma inspeção em busca de fios expostos ou descascados”, orienta Jones. 

O DR: um “escudo” que muitas casas ainda não têm

Entre os itens de segurança mais importantes e menos lembrados, está o Dispositivo Diferencial Residual (DR), exigido pela norma técnica NBR 5410, da ABNT, para instalações elétricas de baixa tensão. Instalado no quadro de distribuição, ele monitora continuamente a corrente do circuito. Se detectar uma fuga, como a que ocorre quando alguém toca em uma parte energizada, desliga a energia em milésimos de segundo, antes que o choque cause danos graves.

“Muita gente tem DR no quadro e nunca testou, e muita gente nem sabe se tem. Vale chamar um profissional qualificado para verificar se ele existe, se está funcionando e se a instalação está de acordo com a norma”, afirma Jones.

Nas áreas molhadas, como em áreas de piscina, a NBR 5410 também exige o condutor de aterramento, o chamado “fio terra”, essencial para a segurança da instalação.

O que fazer se o choque acontecer?

Conforme Jones, o primeiro passo em casos de choque é não tocar na pessoa enquanto ela estiver em contato com a fonte de energia, pois a corrente pode passar para você. A orientação é desligar a chave geral ou o disjuntor no quadro de distribuição. Se não for possível desligar, deve-se afastar a fonte com um objeto seco e não condutor, como um cabo de vassoura de madeira ou um cano plástico rígido. Outra recomendação importante é ligar imediatamente para o Samu (192) ou para o Corpo de Bombeiros (193) e seguir as orientações do atendente, inclusive os primeiros socorros, se a pessoa estiver inconsciente.


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