Da celulose ao banheiro: conheça o processo de fabricação de um rolo de papel higiênico
A produção do papel higiênico envolve diferentes etapas antes de chegar ao consumidor; nos EUA, 26 de agosto celebra o National Toilet Paper Day
Presente diariamente nos banheiros e quase sempre escolhido em poucos segundos diante das prateleiras do supermercado, o papel higiênico pode parecer um produto simples. Mas, antes de chegar ao consumidor, passa por uma cadeia industrial que envolve muita tecnologia e diferentes etapas de produção.
Tudo começa muito antes de o papel ser cortado, perfurado e embalado. Características como maciez, resistência, volume e absorção são resultado de decisões tomadas desde a preparação da matéria-prima até as etapas finais de conversão. Na indústria, cada uma dessas características depende de processos e controles específicos.
Nos Estados Unidos, onde as primeiras versões mais semelhantes ao que se conhece atualmente desse item começaram a ser patenteadas, a partir de 1857, esse universo ganha uma atenção especial no dia 26 de agosto, quando é celebrado o National Toilet Paper Day. A data é uma oportunidade para olhar para um produto tão cotidiano por outra perspectiva: afinal, o que acontece antes de um rolo de papel higiênico chegar ao banheiro?
Da celulose à folha de papel
Na IPEL, fabricante de papel tissue (um tipo de papel leve, macio e absorvente, usado principalmente em produtos de higiene e limpeza, como papel higiênico, papel-toalha, guardanapos e lenços de papel) com unidade industrial em Indaial (SC), a produção começa com a celulose, que chega à fábrica em grandes fardos. O material segue para o pulper, equipamento que mistura a celulose com água e separa as fibras, preparando-as para a fabricação da folha de papel. A massa passa então por diferentes etapas de preparação e recebe aditivos que contribuem para as propriedades desejadas no produto final.
“A produção começa com a preparação da celulose. Nesse momento, também são adicionados componentes que contribuem para as características desejadas do papel, como resistência, maciez, absorção e volume, de acordo com cada produto. É uma etapa fundamental porque as características do papel começam a ser definidas ainda na preparação da massa”, explica o diretor de Operações da IPEL, Charles Andrade.
Depois de preparada, a massa segue para a máquina de papel, onde começa uma das principais transformações de todo o processo: a formação da folha de tissue. A água é retirada progressivamente, as fibras se distribuem e a folha passa por processos de prensagem e secagem até se transformar em uma folha contínua de tissue. O resultado é uma grande bobina de papel, que ainda está muito distante do pequeno rolo encontrado nas prateleiras.
“Depois da formação e da secagem, temos uma folha gigante de papel que é enrolada em grandes bobinas. É interessante porque, nesse estágio, já temos o papel pronto, mas ainda não temos o produto que o consumidor conhece. A bobina-mãe ainda vai passar por toda a etapa de conversão”, detalha Charles.
Da bobina-mãe ao rolo que chega ao banheiro
A fabricação do papel é apenas uma parte da história. As grandes bobinas seguem para a etapa de conversão, quando o papel ganha o formato, as dimensões e algumas das características que serão percebidas pelo consumidor. Na conversão, a grande bobina é novamente desenrolada e passa por uma sequência de operações que transforma a folha contínua no produto final. Dependendo do tipo de papel, podem ocorrer etapas como união de camadas, gofragem, aplicação de cola, enrolamento, perfuração e corte.
Uma das etapas que o consumidor consegue perceber diretamente é a gofragem, responsável pelos relevos e desenhos presentes na superfície do papel. Mas o relevo que o consumidor vê e sente não está ali apenas por uma questão estética.
“O desenho em relevo modifica a estrutura do papel e pode contribuir para características como volume, absorção e maciez. Em produtos com mais de uma camada, o processo também ajuda na união entre elas. Por isso, o padrão de gofragem é definido de acordo com o produto e com as características que queremos entregar ao consumidor”, explica o diretor de operações da fábrica de papel tissue.
Depois, as máquinas de conversão transformam a grande bobina em rolos individuais. O papel é então enrolado sobre o tubete de papelão e passa por processos que definem características como comprimento, número de folhas e formato do produto. A perfuração, por exemplo, permite que as folhas sejam destacadas individualmente, enquanto o corte dá ao rolo as dimensões encontradas no varejo. No fim da linha, os rolinhos são embalados e seguem para o estoque, prontos para chegar aos pontos de venda.
Na IPEL, são produzidos cerca de 1,2 milhão de rolos de papel higiênico diariamente, o que equivale a aproximadamente 47,2 milhões de metros de papel/dia. Todo o processo de produção pode levar de 24 horas a 48 horas para ser concluído.
A partir de 2026, os papéis higiênicos da IPEL passaram a incorporar também o IPEL Protech, tecnologia desenvolvida para atuar no controle da proliferação de bactérias na superfície do papel. Integrada ao processo de fabricação, a tecnologia atua na superfície da folha e pode inibir em até 99% a proliferação de bactérias, de acordo com as condições e parâmetros dos testes realizados.
Precisão para transformar grandes volumes em um produto cotidiano
Embora o consumidor veja apenas o produto pronto, a fabricação envolve uma série de controles para garantir que as características definidas para cada tipo de papel sejam mantidas ao longo da produção.
Na IPEL, o controle acompanha diferentes etapas da produção, desde a preparação da matéria-prima até a folha final e a conversão. Ao longo do processo, são realizados testes de gramatura, alvura, tonalidade, espessura, resistência e capacidade de absorção de água, além de testes de aceitabilidade dermatológica e ginecológica.
“Em uma operação de grande escala, pequenas variações ao longo do processo podem impactar diretamente as características percebidas pelo consumidor. Por isso, os controles acompanham diferentes etapas da produção, garantindo que cada produto esteja dentro dos parâmetros definidos”, afirma Charles.
Da celulose à embalagem, o caminho até um rolo de papel higiênico envolve muito mais do que aquilo que o consumidor consegue perceber no produto final. Por trás de cada rolo estão processos industriais complexos, controles de qualidade rigorosos, tecnologia de ponta e decisões que ajudam a definir cada característica percebida ou não no rolinho disponível nas prateleiras.