Em 2026, construção civil exigirá eficiência e inteligência de dados para crescimento
Por Jean Ferrari, CEO da FastBuilt, construtech brasileira especializada em soluções para gestão do pós-obra e experiência do cliente
O mercado da construção civil entra em 2026 com expectativas mais positivas do que nos anos anteriores, sustentadas por uma combinação de retomada gradual dos investimentos, maior previsibilidade econômica e uma mudança clara na forma como as empresas planejam e executam seus projetos. De acordo com o estudo da FGV, o setor deve ter um crescimento de 2,7% no ano, sinalizando uma confiança que vai além do curto prazo e aponta para uma reorganização mais estrutural da cadeia da construção. Esse otimismo, no entanto, vem acompanhado de uma postura mais cautelosa e estratégica, marcada pela busca por eficiência operacional e melhor uso dos recursos disponíveis.
O foco da gestão na construção, neste cenário, deixa de ser apenas a aquisição de novos ativos ou equipamentos, mas no uso cada vez estratégico da tecnologia, que passa a incluir controle, desempenho, manutenção e vida útil dos imóveis em um ciclo de gestão de dados que pode retroalimentar as decisões do negócio. Olhando para as informações coletadas ao longo do desenvolvimento de um empreendimento, o gestor pode analisar insumos, serviços e parcerias de melhor desempenho e, através dessas ferramentas de gestão, se aproximar do cliente, trazendo as tendências de consumo para o cerne do desenvolvimento de novos projetos.
Soluções digitais voltadas à gestão de obras, controle de ativos, monitoramento de desempenho e integração de informações ganham espaço como resposta direta a desafios históricos do setor, como desperdícios, retrabalho, falhas de comunicação e baixa previsibilidade de prazos e custos. A tecnologia atua como um elo entre planejamento e execução, permitindo decisões mais embasadas e ajustes em tempo real, algo essencial em um ambiente de negócios cada vez mais dinâmico.
Não se trata apenas de criar e gerir canteiros de obras mais modernos, mas de construir operações mais resilientes, capazes de absorver oscilações econômicas e responder com agilidade às exigências de investidores, clientes e órgãos reguladores. Da concepção de um empreendimento à gestão do pós-obra, a tecnologia proporciona um rastreamento que impacta diretamente na redução de desperdício, melhor gestão de tempo e atendimentos, melhoria contínua na aplicação de insumos e serviços e redução de custos invisíveis de manutenção e assistências técnicas.
Ao olhar para 2026, fica claro que o crescimento esperado para a construção civil estará cada vez mais associado à capacidade das empresas de incorporar tecnologia de forma estratégica e consistente. A digitalização dos processos, a centralização das informações e o uso inteligente de dados passam a compor a base de sustentação do negócio. As construtoras que avançarem nesse caminho estarão mais preparadas para entregar obras com maior controle, eficiência e qualidade, fortalecendo sua posição em um mercado que tende a ser menos tolerante a improvisos e mais orientado por performance.
Mais do que um ano de retomada, 2026 deve se confirmar como um período de consolidação de um novo modelo de construção, em que crescimento e tecnologia caminham juntos. Um modelo em que a eficiência operacional, a inteligência na gestão e a capacidade de adaptação serão determinantes para quem deseja não apenas crescer, mas se manter relevante em um setor em transformação.