26/08/2021

Em negócios familiares, sucessão ainda é um risco pouco avaliado, diz advogado

Marcus Vinícios de Carvalho Ribeiro diz que empresas familiares devem buscar planejamento de sucessão para garantir a conservação das atividades

Investir em um negócio não é tarefa simples e o caminho para a concretização deste sonho muitas vezes é demorado. Ainda com os percalços do último ano, o empreendedorismo deslanchou, segundo o relatório da Global Entrepreneurship Monitor (GEM): em 2020 houve recorde de novos negócios no país, com os números chegando a 14 milhões de novos empreendimentos. A pesquisa também apontou que o perfil destes novos empresários teve um diferencial, sendo opção, principalmente, para a faixa etária de 55 a 64 anos.

Dados do IBGE mostram que 90% das empresas contam com um perfil familiar, o que representa o emprego de 75% da mão de obra no país. Porém, segundo o especialista Marcus Vinícios de Carvalho Ribeiro, do escritório Flávio Pinheiro Neto Advogados, aproximadamente 70% desta modalidade empresarial não sobrevive nem sequer a primeira transição de geração. “A alternância do comando de uma empresa é uma situação delicada para a qual muitas não estão previamente preparadas, não possuindo plano sucessório que permita uma transição harmoniosa. Esta falta de preparo coloca em risco muitos negócios, que ficam sujeitos a perder sua relevância no mercado após a passagem de seus fundadores”, explica.

Ainda que a execução de um planejamento seja fortemente recomendada, uma pesquisa realizada neste ano pela PwC demonstra que somente 24% das empresas familiares preparam sua sucessão formal.  Marcus Vinícios cita que a elaboração prévia de tal documento é primordial para a sobrevivência do negócio. “A perpetuação do patrimônio deve ser observada com cautela, isso porque, no mais comum dos casos, os problemas sucessórios, assim como os societários, são oriundos das divergências, o que gera desgaste e impacto na longevidade do empreendimento”, reforça. 

Para tanto, o especialista ressalta que é necessário ao gestor conhecer seu negócio e saber estipular papéis dentro dele, usufruindo das melhores qualidades de cada membro da família para facilitar o desenvolvimento das atividades. “A governança é a chave para todas as instituições e, por isso, é preciso centralizar a gestão nas expectativas coletivas. Realizar a proteção legal destas vontades não só traz segurança ou a concretização da vontade dos fundadores, como também estabilidade nas relações e um crescimento saudável”, declara.

Entre os desafios e perspectivas, a manutenção do legado deve acompanhar os valores que permeiam a organização, tal qual a modernização das atividades, que acompanham evoluções tecnológicas e no mercado. 


Legenda: Marcus Vinicios de Carvalho Ribeiro, advogado empresarial no escritório Flávio Pinheiro Neto.
Créditos: Pedro Waldrich