Exemplos de liderança feminina em TI crescem e mostram potencial de maior representatividade no setor
De acordo com a Brasscom, 34% dos profissionais do setor são mulheres. Em Santa Catarina, estado que abriga polos de inovação com destaque nacional, o comando de empresas por elas começa a ganhar espaço
A presença feminina no mercado de trabalho é cada vez mais proeminente, uma vez que, segundo o IBGE, elas já chefiam 52% dos lares brasileiros. E embora dominem muitos setores, na área de tecnologia da informação elas ainda são minoria. De acordo com a Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais do Brasil (Brasscom), elas são 34% da mão de obra do setor e, segundo o Observatório Softex, apenas 13% das diretorias em TI são ocupadas por mulheres. O longo caminho para a igualdade de gênero, no entanto, é marcado por histórias de quem rompe barreiras e inspira as novas gerações de meninas com potencial para ocupar mais espaços na inovação.
É o caso de Adriana Bombassaro, diretora de operações e sócia da FastBuilt, construtech catarinense especializada em soluções para gestão do pós-obra. Formada em Ciências da Computação, iniciou a carreira há mais de duas décadas como estagiária de TI, e galgou o posto de diretora. Foram mais de 20 anos de carreira executiva até decidir empreender. “Nos últimos anos, como sócia da FastBuilt, tenho lidado com os desafios de conciliar a rotina, liderar as pessoas e tirar o melhor de cada um. Já fazia isso na carreira corporativa e sinto que isso se intensifica no empreendedorismo. Ser mulher, especialista de TI e líder me motiva a contribuir para que mulheres em início de carreira vejam todo o potencial da área de tecnologia, hoje muito mais aberta à diversidade de gênero”, destaca a executiva, que hoje tem 40% de mulheres na equipe.
É também de Santa Catarina que Andréia Rengel comanda a AMcom, empresa especializada em soluções digitais para grandes organizações. Na companhia, as mulheres representam cerca de 28% do quadro total de colaboradores, com 39% dos cargos de liderança ocupados por elas. Andréia faz parte da AMcom há 19 anos. Iniciou sua trajetória como líder de vendas e, ao longo dos anos, atuou em diferentes áreas da empresa até assumir a posição de CEO.
“Eu comecei minha trajetória na AMcom em 2007 e tive a oportunidade de conhecer a empresa de forma ampla, passando por diferentes áreas e construindo uma visão integrada do negócio. A tecnologia é um dos setores mais transformadores da sociedade, e precisamos cada vez mais de mulheres ocupando espaços de decisão, inovação e estratégia. Não se trata apenas de inclusão, mas de ampliar perspectivas, gerar impacto e construir soluções mais completas para o mercado. Quero que mais mulheres se enxerguem pertencendo a esse universo, porque a tecnologia também é lugar delas”, destaca.
A trajetória de Maria Ignêz Keske é outra que se conecta à história da tecnologia catarinense. Cofundadora da WK, empresa de softwares de gestão com mais de quatro décadas de atuação, ela participou da estruturação administrativa, financeira, gestão de pessoas e comercial do negócio em um período em que o setor era amplamente dominado por homens. Formada em Economia e uma das poucas mulheres em sua turma na universidade, ajudou a construir uma cultura empresarial que, ao longo do tempo, abriu espaço para maior presença feminina. Hoje, a WK conta com 90 mulheres em seu quadro de colaboradores — o equivalente a 40% do total — e 43% dos cargos de liderança são ocupados por elas, índice acima da média nacional em TI. “Quando começamos, a presença feminina na tecnologia era rara. No fim da década de 1980, quando eu participava ativamente de feiras e eventos do setor, apresentando, explicando e comercializando produtos em um ambiente fortemente masculino, chamava atenção e despertava curiosidade, porque era incomum, a presença feminina se restringia quase exclusivamente à recepção. Dez anos depois desses episódios, fui a primeira mulher convidada para integrar a diretoria da Associação Empresarial de Blumenau (Acib). Aceitei e sugeri que outras mulheres também fossem convidadas. A partir desse movimento, mais mulheres passaram a participar da diretoria e Conselho da ACIB. Isso ocorreu simultaneamente à criação do Núcleo da Mulher Empresária da Acib. Hoje continuo ativa em várias outras entidades setoriais. Sempre acreditei que a presença de mulheres em espaços de decisão é fundamental para a transformação do segmento”, relata a executiva.
Em Joaçaba, no Oeste de Santa Catarina, Cristiane Tonet comanda o Grupo Sancon, que conta com uma ampla gama de soluções de TI e segurança da informação. Há 18 anos ela integra a equipe, onde começou como executiva de contas e hoje responde ao cargo de diretora de operações. “Tive a oportunidade de construir minha trajetória dentro do Grupo Sancon, onde encontrei espaço para crescer e assumir novos desafios. Como gestora, procuro fomentar um ambiente colaborativo, que incentive o desenvolvimento pessoal e profissional de toda a equipe. Hoje, temos 55% dos cargos de liderança ocupados por mulheres”, pontua Tonet.
Iniciativas para formação auxiliam
Cesar Griebeler, presidente da Blusoft/Acate, entidade que representa o polo tecnológico do Vale Europeu, destaca que nos últimos anos a presença feminina tem crescido de forma consistente, tanto em cargos de liderança quanto nos programas de formação. “Embora ainda tenham maioria homens, programas gratuitos de formação de mão de obra em TI, como o ENtra21 e o +Devs2Blu recebem a cada edição um número maior de mulheres interessadas na área. Vemos também, nas empresas associadas e na própria diretoria da Blusoft, mais mulheres ocupando espaços”, diz. Para a entidade, a presença feminina no setor contribuiu para a equidade e também para uma visão mais ampla de oportunidades.