Expansão do mercado de data centers no Brasil impulsiona crescimento de empresas brasileiras
Levantamento aponta que segmento deve dobrar de tamanho até 2030, reforçando a oportunidade da soberania de dados para os negócios do país, além do potencial de novos negócios na oferta de infraestrutura para esses ambientes
Com projeção de dobrar de tamanho até 2030, de acordo com a consultoria imobiliária JLL, o mercado brasileiro de data centers se consolidou como referência na América Latina. O país tem mais de 706 megawatts já instalados e outros 660 em construção, cenário que amplia as oportunidades tanto para as empresas de tecnologia e seus clientes quanto para a indústria fornecedora de insumos para esses espaços.
Para Jean Jader Martins, diretor da Global Gate, que possui duas operações no país, o momento traz mais segurança e transparência de custos aos clientes. “A ampliação do mercado não ocorre apenas com a abertura de unidades de companhias internacionais, mas também com empresas 100% brasileiras investindo mais em suas estruturas, como é o nosso caso. Para o cliente, isso significa ter soberania de dados: suas informações estão em nuvem no país e não sofrem com a interferência da geopolítica das grandes potências internacionais”, analisa.
A Global Gate, que reúne a expertise de mais de 40 anos do Grupo Bludata, do qual faz parte, iniciou sua operação com um data center certificado em nível Tier III em Santa Catarina e, em julho deste ano, abriu uma segunda operação, em São Paulo. O investimento, de acordo com a empresa, acompanha o momento favorável do setor e oferece às companhias atendidas a oportunidade de contar com redundância operacional, armazenamento com transparência de custos e operação mantida no país. A companhia opera como extensão da área de TI de seus clientes e mantém um dos menores índices de perda de clientes do setor, com churn de 1,89% ao ano.
Negócios além da tecnologia se beneficiam
Com o aumento exponencial dessas estruturas, a indústria que fornece insumos construtivos também encontra oportunidades de expansão. Um exemplo é a Portex, empresa brasileira especializada no desenvolvimento de portas e soluções de missão crítica. A marca é a única brasileira a contar com certificações internacionais para o desenvolvimento de portas para data centers e recentemente inaugurou uma nova fábrica.
“Estruturamos um ambiente de mais de mil metros quadrados com metodologia lean, investimentos em pessoas e sistemas de gestão para poder absorver a criação de peças exclusivas e direcionadas às especificidades de cada projeto. Uma porta de data center não é apenas uma porta corta-fogo, mas também tem características de blindagem, apoio na manutenção da temperatura, além de tamanho e componentes específicos. O crescimento desse setor demanda também a produção de peças direcionadas a essas particularidades e sabemos que este é um momento favorável para a indústria”, destaca Abner Garcia, diretor de engenharia da Portex.
As soluções da empresa são aplicadas em espaços como data halls, salas de UPS, salas de baterias e NOCs, entre outros ambientes. Não por acaso, a conexão entre as duas empresas vai além do mercado: a Portex mantém a própria operação crítica na infraestrutura da Global Gate. Na prática, a fabricante das portas que protegem data centers confiou a continuidade do seu negócio a um data center brasileiro.
Para além das projeções de crescimento, o Brasil já ocupa uma posição de destaque no mercado de data centers. O país responde por metade da capacidade instalada na América Latina e deve manter a expectativa positiva a partir do Redata, programa de incentivo às empresas do setor, com redução da carga tributária, sancionado em setembro.