01/07/2026

Governança e contexto são tão importantes quando IA para inovação com resultado

Por Rodrigo Strey, vice-presidente da AMcom, companhia especializada no desenvolvimento de soluções digitais sob medida

Recentemente, o estudo TIC Empresas, do Cetic, apontou que quase 100 mil empresas brasileiras já fizeram uso de alguma inteligência artificial. Cada vez mais comum em processos simples e operacionais, a IA também chega com a promessa de mais produtividade, velocidade, automação e decisões mais inteligentes. No setor elétrico, entretanto, existe uma variável adicional que torna essa discussão significativamente mais complexa. Diferentemente de outros segmentos, aqui não basta inovar. É preciso inovar sem interromper operações que sustentam a vida econômica e social do país e garantir que o contexto regulatório seja sempre levado em consideração quando projetos de inovação são postos em discussão.

A discussão do setor não é a adoção da tecnologia em si. O desafio está em garantir que essa evolução tecnológica aconteça preservando estabilidade, previsibilidade, segurança e continuidade operacional.

O contexto ajuda a explicar essa mudança de perspectiva. O sistema elétrico brasileiro vive uma transformação profunda impulsionada pela expansão acelerada das fontes renováveis, pela descentralização da geração, pelo crescimento exponencial do volume de dados operacionais e pela necessidade de decisões cada vez mais rápidas. Operar esse ambiente exige um nível de coordenação muito superior ao que existia há poucos anos.

Esses desafios ganham contornos ainda mais relevantes. A ampliação da geração solar e eólica trouxe ganhos importantes para a matriz energética nacional, mas também elevou a complexidade da operação. Hoje, manter o equilíbrio entre geração, consumo, transmissão, previsões climáticas, geração distribuída e requisitos regulatórios tornou-se uma atividade de altíssima sensibilidade. O curtailment é um exemplo claro dessa realidade.

Durante muitos anos, a modernização tecnológica esteve associada principalmente à adoção de novas plataformas, migração para a nuvem, automação de processos e substituição de sistemas legados. Esses movimentos continuam sendo importantes, mas já não são suficientes. Em operações críticas, eficiência operacional não nasce apenas da tecnologia. Ela surge da combinação entre contexto operacional, governança, rastreabilidade, observabilidade e capacidade de tomada de decisão segura.

Existe uma percepção equivocada de que acelerar significa simplesmente implementar mais tecnologia. Na prática, operações resilientes não são aquelas que mudam mais rápido, mas as que conseguem evoluir continuamente sem perder controle. O risco mais relevante atualmente não está necessariamente no código, na infraestrutura ou nas integrações ou aplicação da IA, mas sim, no uso destas tecnologias que aceleram, mas de forma desconectada, sem contexto e de forma não rastreável, não governada. Isso pode acelerar o caos.

Quando o conhecimento operacional fica concentrado em poucas pessoas, as decisões deixam de ser rastreáveis, e integrações críticas não possuem visibilidade ponta a ponta. Quando sistemas continuam funcionando sem que suas dependências sejam plenamente compreendidas, a organização passa a acumular riscos invisíveis. E riscos invisíveis costumam ser os mais perigosos porque normalmente só se tornam perceptíveis quando algo já deixou de funcionar.

A aplicação da IA se torna ainda mais complexa neste contexto. Isso porque, embora a tecnologia tenha potencial para transformar operações, acelerar entregas, apoiar análises complexas e ampliar significativamente a produtividade das equipes, uma implementação sem governança pode ampliar riscos. Projetos de inovação precisam de arquitetura adequada, contexto operacional e regulatório e mecanismos de governança.

Por isso, a discussão mais relevante do mercado energético não é "como acelerar", mas sim "como acelerar sem comprometer estabilidade".

As organizações mais maduras estão respondendo a essa pergunta por meio de uma abordagem integrada. Em vez de olhar para tecnologia, engenharia, operação e governança como disciplinas separadas, elas passaram a conectá-las dentro de um mesmo modelo de evolução contínua.

E é somente com este olhar multidisciplinar que a IA torna-se um mecanismo de sustentação do conhecimento, apoio à tomada de decisão e fortalecimento da governança operacional.

Sem contexto, a inteligência artificial entrega ganhos pontuais de velocidade. Com contexto, ela contribui para a construção de ambientes mais resilientes, preparados para evoluir e capazes de preservar conhecimento ao longo do tempo. Em ambientes de alta criticidade, a tecnologia com diferencial é aquela que proporciona a evolução de forma contínua, sustentável e segura.

Parece simples, mas esta é a grande diferença entre o “dar certo e gerar resultados” e o “não funciona pra minha organização”. E foi buscando esta eficiência que a AMcom criou uma suíte de desenvolvimento de soluções que usa IA + Método, que garante esta gestão de contexto e rastreabilidade, garantindo governança e sustentabilidade.  Desta forma, é possível inovar com segurança e controle, usando o que há de mais moderno no mercado.

 

 


Legenda: Rodrigo Strey, vice-presidente da AMcom
Créditos: Divulgação