15/09/2026

"IA pode automatizar tarefas, mas responsabilidade continua humana", afirma especialista

Alexandre Uehara, Rafael Dalazen e Débora Silva apresentaram diferentes perspectivas sobre o uso da IA em tarde no Centro de Inovação Blumenau (CIB)

A Inteligência Artificial já faz parte do cotidiano, mas transformar essa tecnologia em resultados concretos exige um pouco mais de atenção. Esse foi um dos principais pontos discutidos durante o evento “Inteligência Artificial Aplicada: Tendências, Soluções e Integração para o Ecossistema de Inovação”, promovido pelo Centro de Inovação Blumenau (CIB). O encontro reuniu os especialistas Alexandre Uehara, Rafael Dalazen e Débora Silva, que apresentaram diferentes perspectivas sobre o uso da IA.

Na abertura da programação, Alexandre Uehara, que atua como analista do programa Shark Tank, destacou que a tecnologia deve contribuir para aumentar receitas ou reduzir custos, permitindo, por exemplo, que empresas escalem suas operações sem necessariamente ampliar os custos na mesma proporção.

Ele demonstrou com números como as empresas que já nascem digitais, como o Nubank, possuem em sua estrutura maior investimento em tecnologia quando comparadas com empresas mais tradicionais. Para Uehara, o avanço da IA também exige uma mudança na forma como as organizações enxergam a tecnologia. Com ferramentas de Inteligência Artificial cada vez mais acessíveis, a tecnologia tende a se tornar uma commodity, fazendo com que o diferencial esteja menos na adoção em si e mais na capacidade de utilizá-la de maneira estratégica.

Outro ponto abordado foi a importância do fator humano. Apesar do potencial de automação, a IA ainda pode cometer erros e exige acompanhamento e revisão. Para Uehara, a tecnologia pode assumir tarefas, mas não elimina a responsabilidade das pessoas pelas decisões.

“O valor da IA não é medido pela tecnologia implementada, mas pelo impacto gerado. A IA pode automatizar tarefas, mas a responsabilidade continua humana”, destacou.

Da responsabilidade humana aos dados

Na sequência, Rafael Dalazen, especialista em engenharia de dados e IA, apresentou uma perspectiva mais técnica sobre o funcionamento da Inteligência Artificial e mostrou que a tecnologia está presente no cotidiano há mais tempo do que muitas pessoas imaginam. Aplicações como Google Maps, YouTube e sistemas de previsão do tempo já utilizavam diferentes recursos de IA há anos.

Dalazen explicou que o conceito de IA vai muito além dos atuais modelos de linguagem e da Inteligência Artificial Generativa. Entre os exemplos apresentados estão o uso de machine learning para prever churn e recomendar produtos, de deep learning para analisar imagens em linhas de produção e identificar falhas, enquanto a IA generativa continua sendo a melhor opção para criação de conteúdo.

“O sucesso da IA está ligado à qualidade dos dados. Um prompt eficaz tem linguagem simples, sem ambiguidade, separação clara entre contexto e tarefa e exemplos para entendimento”, definiu.

Problema antes da tecnologia

Encerrando a programação, Débora Silva, empreendedora serial de Fortaleza, levou a discussão para o campo do empreendedorismo e das oportunidades de negócio. A especialista defendeu que o ponto de partida para utilizar Inteligência Artificial não deve ser a tecnologia, mas a identificação de problemas que realmente precisam ser resolvidos.

A partir dessa perspectiva, ela apresentou uma sequência para quem deseja transformar IA em oportunidade de negócio: detectar um problema, supor que existe uma oportunidade e, então, recorrer à Inteligência Artificial para ampliar a visão e construir uma solução.

Segundo ela, boas oportunidades podem estar em situações que são caras demais, lentas demais, complexas demais ou repetitivas demais. Para ajudar a transformar essas dores em possibilidades de negócio, a especialista criou o Método Ponte, que conduz o caminho entre a identificação de um problema e a construção de uma oportunidade.

“Quando conversamos com a IA, temos que colocar em primeiro lugar a nossa inteligência”, finalizou.


Legenda:
Créditos: Foto: Alma - Branding & Films.
Legenda: Débora Silva
Créditos: Alma - Branding & Films
Legenda: Rafael Dalazen
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Legenda: Alexandre Uehara
Créditos: Alma - Branding & Films