Incentivos a data centers podem impulsionar cadeia brasileira de soluções para infraestrutura crítica
Novo regime tributário busca estimular investimentos no setor; indústria nacional já desenvolve soluções especializadas para atender projetos com requisitos internacionais
A criação de novos incentivos para a instalação de data centers no Brasil pode movimentar não apenas o mercado de infraestrutura digital, mas também uma cadeia de fornecedores especializados em atender empreendimentos de alta complexidade. Sancionado em setembro, o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata) estabelece benefícios tributários para equipamentos e componentes destinados a centros de processamento de dados habilitados no programa.
A perspectiva de ampliação dos investimentos abre espaço para diferentes segmentos ligados à implantação e operação dessas estruturas. Além de servidores e equipamentos de tecnologia, um data center demanda sistemas elétricos e de climatização, infraestrutura física e soluções específicas de segurança e proteção contra incêndio.
É justamente nessa cadeia que empresas brasileiras já vêm desenvolvendo tecnologia para atender requisitos de projetos de missão crítica. A Portex, especializada em portas corta-fogo e soluções de engenharia sob medida, possui uma frente dedicada a aplicações para data centers, com desenvolvimento de projetos customizados para ambientes que exigem níveis elevados de proteção, controle de acesso e conformidade técnica.
Em um dos projetos realizados no Brasil, por exemplo, a empresa desenvolveu uma solução completa de portas para um data center com mais de 40 mil metros quadrados e especificação internacional. As soluções foram certificadas de acordo com normas internacionais UL 10C e NFPA 80 e brasileiras ABNT NBR 11742 e NBR 11785.
“Quando falamos em data center, estamos falando de uma infraestrutura crítica, em que cada componente precisa responder a requisitos muito específicos de segurança, desempenho e integração. O Brasil já possui empresas e engenharia capazes de desenvolver soluções para esse nível de exigência. Um movimento de expansão do setor pode fortalecer também fornecedores nacionais preparados para participar desses projetos”, afirma Abner Garcia, diretor da Portex.
Engenharia nacional para projetos críticos
Nos data centers, as portas fazem parte da estratégia de proteção passiva contra incêndio e precisam ser consideradas em conjunto com as características de cada ambiente. Além disso, a Portex desenvolve em seus projetos especiais soluções que unem a proteção contra incêndio e a blindagem, adicionando uma camada extra de segurança. Dependendo do projeto, podem existir exigências relacionadas à resistência ao fogo, vedação à fumaça, segurança patrimonial, controle de acesso, automação, dimensões especiais e movimentação de equipamentos.
“O desafio não é simplesmente fornecer uma porta, mas compreender como ela se integra ao projeto e aos sistemas de segurança daquele ambiente. Data centers têm características muito particulares e exigem soluções desenvolvidas para aquela operação. Ter essa capacidade disponível no Brasil ajuda a cadeia nacional a acompanhar a sofisticação dos novos empreendimentos”, complementa Abner.
O Redata prevê que as infraestruturas dos data centers contemplados pelo programa devem destinar 10% da capacidade de armazenamento para o mercado interno. A cadeia de fornecedores, que deve ser beneficiada direta e indiretamente, inclui ainda a área de gás natural - que se enquadra em energia limpa para fornecimento de energia às estruturas - e a própria construção civil, para a elaboração dos espaços.