Inteligência artificial impulsiona o Agro 5.0 e eleva padrões de qualidade na seleção de grãos
O uso de deep learning leva a IA a um novo patamar, permitindo decisões mais rápidas e precisas na classificação de grãos, segundo empresa catarinense que fabrica selecionadoras com essa tecnologia
A inteligência artificial (IA) já é uma aliada consolidada do agronegócio brasileiro. Presente em diferentes etapas da cadeia produtiva, a tecnologia vem contribuindo para ganhos expressivos de produtividade, redução de perdas e aumento da qualidade dos produtos, fatores que são essenciais para a competitividade do Brasil no mercado global de alimentos.
Esse avanço faz parte do chamado Agro 5.0, conceito que integra automação, conectividade, análise de dados e IA para tornar o campo mais eficiente, sustentável e orientado por decisões inteligentes. De acordo com o último estudo “A mente do agricultor brasileiro”, da McKinsey & Company, 55% dos produtores rurais no país já utilizam ou pretendem utilizar ferramentas digitais em suas operações, demonstrando que a transformação tecnológica no agro está em ritmo acelerado.
Se no campo a IA já auxilia no monitoramento de lavouras, previsão de safras e manejo mais preciso, na etapa final da produção ela desempenha um papel decisivo no controle de qualidade, especialmente na seleção de grãos. É nesse ponto que entram as selecionadoras de alta tecnologia, capazes de analisar grandes volumes de grãos em alta velocidade, identificando defeitos, impurezas e variações de cor, forma e textura com precisão superior aos métodos tradicionais.
Essas máquinas utilizam algoritmos de inteligência artificial treinados para reconhecer padrões e tomar decisões em tempo real. Uma das evoluções mais recentes dessa tecnologia é o deep learning (aprendizado profundo) — um ramo da IA que funciona de forma semelhante ao cérebro humano, usando redes neurais artificiais para aprender com grandes quantidades de dados, melhorar continuamente sua performance e identificar detalhes cada vez mais sutis nos grãos analisados.
Segundo Carlos Bieging, Diretor de Pesquisa da Selgron, empresa brasileira com 35 anos de atuação no desenvolvimento de máquinas para automação da linha final de produção industrial, a aplicação da IA na seleção de grãos representa um salto de qualidade para o setor. “A inteligência artificial permite um nível de padronização e confiabilidade que seria impossível até mesmo com processos manuais. Isso reduz perdas, agrega valor ao produto final e ajuda o agricultor e a indústria a atenderem mercados cada vez mais exigentes”, explica.
A Selgron já desenvolve selecionadoras de grãos com IA embarcada e avança para um novo patamar tecnológico: a partir de 2026, seus equipamentos contarão também com deep learning, ampliando ainda mais a capacidade de aprendizado das máquinas e a efetividade na classificação dos grãos. O resultado é maior eficiência operacional, melhor aproveitamento da produção e mais competitividade para o agro brasileiro.