Mais da metade da indústria brasileira já usa tecnologia RFID: etiquetas otimizam gestão
Utilizada para identificar e rastrear itens por radiofrequência, a solução amplia a eficiência logística, reduz falhas operacionais e permite maior controle das mercadorias ao longo da cadeia produtiva. Haco é exemplo de indústria que desenvolve soluções de identificação com RFID.
A busca por maior eficiência, redução de custos e rastreabilidade está acelerando a adoção de tecnologias de identificação na indústria e no varejo. Entre elas está o RFID (Identificação por Radiofrequência), sistema que permite identificar e acompanhar produtos sem a necessidade de leitura individual de códigos de barras. De acordo com o Seal Connect Fórum, 57% da indústria brasileira já utilizavam essa inovação na gestão logística em 2024 e, de acordo com a pesquisa Cenário do Ativo Imobilizado, o uso cresceu 135% entre 2023 e 2025. Os setores que trabalham com grandes volumes de mercadorias, como o têxtil e o de confecção, são os que mais ganham em controle de estoques e agilidade na operação.
Entre as marcas brasileiras que já desenvolvem soluções com a tecnologia embarcada está a Haco, que foi pioneira no desenvolvimento dessa tecnologia no Brasil. A companhia com quase 100 anos é especializada em etiquetas e produtos de identificação e está presente em mais de 40 países. Diferentemente dos códigos de barras tradicionais, que exigem a leitura visual de cada item, o RFID utiliza etiquetas equipadas com chips e antenas capazes de transmitir informações para leitores específicos. “Isso permite a identificação simultânea de múltiplos produtos, inclusive quando estão armazenados em caixas ou organizados em grandes quantidades, desde que as condições técnicas permitam a leitura. Na prática, a solução contribui para tornar processos como inventários, recebimento, expedição e reposição de mercadorias mais rápidos e precisos”, detalha Jefferson Hackbarth, gerente de Tecnologia da Informação & RFID da Haco.
Atualmente, a Haco tem produção anual de 200 milhões de etiquetas com a tecnologia RFID. Marcas como Colcci, AMC, Altenburg, Coca-cola, Spaten, Mueller, Lunelli, Weg, Live!, Ogochi e Havan estão entre as empresas que adotam soluções de identificação com essa inovação.
A tecnologia também responde a um desafio recorrente do varejo: a diferença entre os estoques registrados nos sistemas e os produtos efetivamente disponíveis. Com a identificação individualizada dos itens e a realização de leituras automatizadas, as empresas conseguem obter informações mais confiáveis sobre suas mercadorias, reduzir o tempo dedicado às conferências manuais e melhorar a disponibilidade dos produtos para venda.
Da indústria ao consumidor final
O potencial do RFID vai além do controle de estoques. Na indústria, a tecnologia pode auxiliar no acompanhamento das etapas de produção e na movimentação de materiais. Nos centros de distribuição, facilita a conferência de pedidos e a identificação de divergências. Já nas lojas, contribui para inventários mais frequentes, reposição de mercadorias e integração entre os canais físicos e digitais.
Para o setor de moda, que trabalha com diferentes coleções, tamanhos, cores e modelos, essa visibilidade é especialmente importante. A identificação de cada peça permite acompanhar com maior precisão a movimentação dos produtos, oferecendo informações que ajudam as empresas a tomar decisões sobre abastecimento, disponibilidade e planejamento operacional.
“A adoção do RFID, demanda o planejamento da indústria, que ganha no médio e longo prazo. Além das etiquetas, deve-se levar em consideração a infraestrutura de leitores, a integração com os sistemas de gestão e as características dos materiais e ambientes em que a tecnologia será utilizada. A escolha adequada da solução e a realização de testes são etapas importantes para garantir o desempenho esperado. Assim, o setor têxtil ganha não só em produtividade, mas em competitividade, podendo garantir rastreabilidade, controle e uma gestão ágil e eficiente”, reforça Hackbarth.
Para o executivo da Haco, o avanço dessa tecnologia representa uma evolução no próprio conceito de etiqueta, que passa a conectar o produto físico aos dados necessários para uma operação mais eficiente.