Mulheres avançam na TI e conquistam espaço na liderança das empresas
Com cerca de 34% da força de trabalho no setor, presença feminina cresce também nos cargos de gestão; trajetória de Cristiane Tonet, do Grupo Sancon, exemplifica o movimento de ascensão e transformação cultural na tecnologia
Durante décadas, a área de tecnologia da informação foi vista e estruturada como um território predominantemente masculino. Dos cursos universitários às salas de reunião das grandes empresas, a presença feminina sempre foi minoria. Mas esse cenário vem mudando. De forma gradual e consistente, mais mulheres têm ingressado na área de TI, assumido posições estratégicas e liderado negócios que movimentam a economia digital.
Segundo a Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais (Brasscom), a participação feminina no setor de tecnologia no Brasil ainda é inferior à masculina, mas tem apresentado crescimento nos últimos anos, especialmente em cargos ligados à gestão, inovação e transformação digital. Um relatório de 2024 apontou que 34,2% da mão de obra em setores de TI é composta por mulheres. Entre diretoras e gerentes, o número se mantém próximo, com 34,1% de representatividade feminina. Já nas áreas técnicas, as mulheres representam 28,1% das profissionais.
Em Santa Catarina, elas representam cerca de 43% dos trabalhadores do setor, segundo dados do Tech Report 2021 da ACATE. É nesse contexto que se insere a trajetória de Cristiane Tonet, diretora de operações do Grupo Sancon, empresa de soluções em sistemas de gestão com sede em Joaçaba, no Oeste de Santa Catarina.
Há 18 anos, Cristiane ingressou na Sancon como executiva de contas. Ao longo do tempo, passou por diferentes funções, acompanhou a expansão da companhia e participou ativamente de sua consolidação no mercado. Hoje, ocupa um dos cargos mais altos do, agora, Grupo Sancon, que conta com mais de 110 colaboradores. O dado mais emblemático, no entanto, está na cultura organizacional construída ao longo desse processo: atualmente, 55% dos cargos de liderança da empresa são ocupados por mulheres.
Para Cristiane, a presença feminina na TI não deve ser tratada como exceção, mas como parte de uma transformação estrutural. “A tecnologia é um campo de inovação constante, e inovação exige diversidade de perspectivas. Quando ampliamos a participação das mulheres, ampliamos também a capacidade de enxergar problemas e soluções de forma mais completa”, defende.
Ao ocuparem posições estratégicas, as mulheres se tornam referência para novas gerações, quebrando estereótipos e mostrando que o setor tecnológico também é espaço de construção de carreira sólida.