22/05/2026

NR-1 leva riscos psicossociais ao centro da gestão e amplia o papel da tecnologia nas empresas

Especialista aponta que centralização de processos, rastreabilidade e acesso digital aos canais internos tendem a ser fatores relevantes para empresas estruturarem a gestão de riscos psicossociais. Com atuação em grandes operações industriais, hrtech Joinin reforça a integração entre ambiente físico e digital para ampliar governança, transparência e acesso dos colaboradores.

A partir de 26 de maio de 2026, empresas brasileiras passam a ter de incluir expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, conforme atualização da Norma Regulamentadora nº 1, a NR-1. A mudança reforça a necessidade de identificar, avaliar e controlar fatores como sobrecarga, assédio, pressão excessiva, falhas de comunicação e ausência de clareza organizacional que possam impactar a saúde e a segurança dos trabalhadores. Na prática, a atualização tira os fatores psicossociais de uma discussão restrita a ações pontuais de bem-estar e os aproxima da lógica de gestão de riscos, evidências, acompanhamento e plano de ação. O movimento também coloca o RH em uma nova posição de protagonismo, desde que integrado às áreas de Saúde e Segurança do Trabalho, liderança e governança corporativa.

“Durante muitos anos, os fatores psicossociais foram tratados como uma pauta paralela, muitas vezes restrita a ações pontuais de bem-estar. A NR-1 muda essa lógica ao trazer o tema para dentro da gestão de riscos ocupacionais. Isso exige processo, evidência, histórico, plano de ação e acompanhamento contínuo. O RH ganha protagonismo, mas precisa atuar integrado a SST, liderança e governança corporativa”, afirma Rogério Wiethorn Jr., CEO da Joinin, hrtech especializada em soluções digitais para gestão de pessoas.

Segundo o executivo, um dos principais desafios das empresas será transformar processos internos historicamente fragmentados em fluxos mais organizados, acessíveis e previsíveis. “Uma parte relevante do desgaste no ambiente corporativo nasce de fatores que parecem simples, mas têm alto impacto: comunicação desorganizada, baixa clareza de processos e dificuldade de acesso a informações básicas. Quando o trabalhador não sabe onde buscar ajuda, como registrar uma solicitação ou qual retorno esperar, a empresa cria insegurança operacional. E insegurança operacional, no tempo, vira desgaste”, explica.

Nesse contexto, tecnologia não substitui gestão, mas passa a ser uma camada crítica de governança. Plataformas digitais podem centralizar registros, organizar fluxos, criar histórico, ampliar visibilidade para os gestores e permitir o acompanhamento de planos de ação com mais consistência, especialmente em empresas com operações distribuídas, grande volume de colaboradores e alta presença de trabalhadores sem posto fixo de computador. A Joinin desenvolve um aplicativo corporativo voltado à gestão da experiência do colaborador, reunindo recursos de comunicação interna, solicitações, documentos, treinamentos, canais internos e acompanhamento de jornadas operacionais. A plataforma é utilizada por empresas industriais de grande porte, incluindo organizações como Tramontina, Karsten, WEG e Frimesa.

Para apoiar empresas na estruturação da gestão de fatores psicossociais exigida pela NR-1, a Joinin desenvolveu o PeopleFirst, módulo integrado à plataforma voltado à escuta, organização de evidências, acompanhamento de indicadores e gestão de planos de ação. A solução combina camadas de percepção e diagnóstico, incluindo termômetro de bem-estar percebido em formato agregado, monitoramento periódico de estresse percebido e diagnóstico psicossocial estruturado com base em instrumentos reconhecidos internacionalmente, como o COPSOQ. A partir dos dados consolidados, a plataforma apoia a construção de planos de ação com recomendações estruturadas, definição de responsáveis, prazos e registro de evidências, permitindo que a empresa mantenha uma trilha organizada para análise técnica e integração ao PGR, conforme sua governança interna.

“O que a NR-1 exige não é apenas uma política escrita, mas capacidade de acompanhar, registrar e agir sobre fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho. Em empresas com operação distribuída, grande volume de colaboradores e muitos fluxos internos, fazer isso sem tecnologia tende a ser lento, fragmentado e pouco rastreável. A questão não é substituir a gestão humana, mas criar estrutura para registrar, acompanhar e agir com consistência”, destaca Rogério.

Do escritório ao chão de fábrica: como integrar processos com foco em bem-estar e saúde mental

Outro ponto que deve ganhar atenção das empresas é a inclusão dos trabalhadores operacionais e do chão de fábrica nas estratégias de comunicação, escuta e gestão. Em muitas organizações, informações, processos e canais internos ainda ficam concentrados no computador do gestor, em murais físicos ou em meios pouco acessíveis para a operação. “Durante muito tempo, muitas empresas concentraram processos e informações no computador do gestor, em murais físicos ou em canais pouco acessíveis para a operação. Mas o colaborador do chão de fábrica também precisa ter acesso simples a comunicados, treinamentos, canais internos e solicitações. A experiência do colaborador precisa ser democrática e acessível”, pontua.

Para Rogério, apesar de as novas exigências trazerem preocupação inicial para muitas organizações, o movimento pode representar uma oportunidade importante de evolução da gestão interna. “A NR-1 não deveria ser vista apenas como uma obrigação regulatória. Ela força as empresas a olharem para a qualidade da gestão. Organizações que estruturam comunicação, canais de escuta, fluxos de atendimento e planos de ação reduzem exposição, mas também constroem confiança operacional. No fundo, a norma acelera uma transformação que muitas empresas já deveriam ter feito”, conclui.


Legenda: Rogério Wiethorn Jr, CEO da Joinin
Créditos: Divulgação