O que os alunos fazem em uma aula de robótica? Entenda como funciona a aprendizagem
Da construção de protótipos à programação, atividades integram diferentes áreas do conhecimento e desafiam estudantes a encontrar soluções

Montar um robô é apenas uma das possibilidades em uma aula de robótica educacional. Antes de ver uma criação em movimento, os estudantes precisam compreender um desafio, planejar como resolvê-lo, construir estruturas, programar comandos e testar se as soluções funcionam. Nesse processo, conceitos de ciência, tecnologia, engenharia e matemática deixam de aparecer apenas na teoria e passam a ser aplicados na prática.
André Brandão Sala, fundador da Robomind, especializada em educação tecnológica e robótica, destaca que mais importante do que montar o robô em si é o processo de aprendizagem que acontece durante a atividade. “Uma aula pode começar com a apresentação de um problema ou de uma tecnologia presente no dia a dia. A partir disso, os estudantes podem construir um protótipo e programar comandos para executar determinadas ações. Depois, testam os resultados e avaliam se o projeto foi concluído com sucesso”, explica.
A escolha do curso de robótica deve levar em conta a faixa etária dos estudantes e os objetivos de aprendizagem de cada etapa. Na primeira infância, o foco pode estar na exploração do ambiente. Já nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio, os projetos podem envolver programação mais complexa, inteligência artificial e a integração de conhecimentos de diferentes disciplinas.
Uma das novidades deste ano é o lançamento do LAB.AI, que vai levar aulas de inteligência artificial para os anos finais do Ensino Fundamental, suprindo uma demanda crescente sobre o tema. No curso, cada estudante assume um papel dentro da equipe: facilitador (organiza a equipe, gerencia o tempo e incentiva a participação); engenheiro (monta o protótipo, organiza as peças e realiza ajustes); desenvolvedor (programa, utiliza sensores e testa o funcionamento) e cientista (observa, pesquisa, analisa resultados e apoia na tomada decisões). Com previsão de implantação em escolas públicas e privadas a partir de 2027, o curso já conta com instituições de ensino que aderiram ao projeto para o próximo ano letivo.
Outros exemplos são o Kidsmind, voltado para crianças de três a cinco anos, que introduz técnicas de codificação. Já o RB-Lab, para alunos a partir de 12 anos, prepara os participantes interessados em competições de robótica, com ênfase no World Robot Olympiad (WRO).
Ainda é importante diferenciar as propostas curriculares, que são integradas à rotina pedagógica da escola, e as extracurriculares, que permitem aprofundar interesses específicos.
Para apoiar essas experiências, a Robomind utiliza kits tecnológicos de parceiros como LEGO® Education e ROBOROBO, além de materiais didáticos que orientam as atividades de construção e aprendizagem. Os projetos seguem a metodologia exclusiva 2CEs, estruturada em quatro etapas: contextualizar, construir, experienciar e evoluir. Os cursos seguem as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
“O objetivo é formar estudantes capazes de compreender como as ferramentas tecnológicas funcionam, fazer perguntas e pensar em novas soluções”, finaliza André.