Planejamento sucessório: formação interna promove transição de liderança na WK
Após 15 anos de desenvolvimento interno, Carolina Gabriel Santos assume a diretoria administrativa da WK, sucedendo Cláudia Denardi, e expõe a aposta de que a perenidade do negócio começa pela formação intencional de quem vai liderar
Quase 70% dos líderes empresariais brasileiros estão preocupados com sucessão e retenção de talentos e, ainda assim, a maioria das empresas não tem um plano estruturado para lidar com o tema. Levantamento da consultoria Korn Ferry, divulgado em 2026, mostra que 54% das organizações no Brasil sequer possuem um programa formal de planejamento sucessório. Quando o fazem, a cobertura costuma se concentrar no topo: a alta liderança é contemplada em 87% dos casos, enquanto apenas 41% das empresas estendem o planejamento aos demais níveis hierárquicos. É nessa lacuna que a WK, empresa de tecnologia para gestão empresarial, decidiu agir de forma diferente e com antecedência.
A empresa anuncia a transição na diretoria administrativa financeira. Cláudia Denardi, que ocupou o cargo por mais de três décadas, encerra um ciclo. No lugar dela, assume Carolina Gabriel Santos, que chegou à WK há 15 anos como assistente contábil e percorreu cada degrau da estrutura até chegar à diretoria. Não se trata de uma promoção circunstancial. A transição é o resultado de um processo de desenvolvimento de liderança interna, conduzido ao longo de anos, sem busca externa e sem ruptura de cultura.
“A Carolina reúne algo que considero raro e extremamente valioso: competência técnica aliada à inteligência emocional. Mas, acima de tudo, enxerguei nela consistência. Em ambientes corporativos, o talento chama atenção, mas a consistência constrói confiança. Ao longo do tempo, ela demonstrou equilíbrio, ética, comprometimento e maturidade para lidar tanto com desafios quanto com pessoas", avalia Cláudia. "A maturidade profissional se revela na consistência das atitudes do dia a dia. Percebi que a Carolina estava pronta quando comecei a vê-la tomando decisões com segurança, conduzindo situações complexas com equilíbrio e assumindo responsabilidades sem precisar de validação constante", comenta.
Do lado de quem assume, o movimento também não foi repentino. A trajetória de Carolina é, em si mesma, um estudo de caso sobre como carreiras se constroem por dentro das organizações. “Fui percebendo isso aos poucos, conforme comecei a receber desafios maiores e a participar de decisões mais estratégicas da empresa. Houve um momento em que deixei de olhar apenas para a minha área técnica e comecei a entender o impacto das decisões no todo, nas pessoas, no negócio e no futuro da empresa", conta. "Receber essa responsabilidade foi uma mistura de confiança e senso de compromisso. Assumir posições de liderança nunca foi sobre ser, mas sobre cuidar das pessoas, sustentar decisões importantes e ajudar a construir um ambiente melhor e mais forte para todos", afirma.
Neste novo ciclo, a diretora tem uma agenda clara: fortalecer processos, tecnologia, indicadores e governança sem abrir mão do lado humano. "Quero desenvolver pessoas. Sou fruto de oportunidades que recebi ao longo da minha carreira, então acredito muito em formar novos líderes, criar ambientes de confiança e incentivar o crescimento das equipes", afirma.
Carolina também reposiciona o papel da área administrativa dentro de uma empresa de tecnologia — longe da visão de suporte operacional e cada vez mais próxima da estratégia. "Hoje ela precisa ajudar a empresa a crescer de forma sustentável, apoiar decisões rápidas e inteligentes e criar estrutura para acompanhar a velocidade das transformações do mercado", diz. A perspectiva dialoga diretamente com os dados da pesquisa da consultoria ANK Reputation, que aponta que quase 70% dos líderes empresariais brasileiros colocam temas relacionados a pessoas — como retenção de talentos e sucessão — entre suas maiores preocupações para os próximos anos.
Para Cláudia, encerrar esse ciclo é também uma entrega estratégica. "Sempre acreditei que liderança de verdade não se mede apenas pelos resultados que entregamos, mas pela capacidade de formar pessoas e garantir continuidade. Saio com a tranquilidade de quem fez o seu melhor, ajudou a formar pessoas e deixa um legado sustentado não apenas por resultados, mas também por relações, valores e confiança", reforça.