Super El Niño reforça necessidade de tecnologia para antecipar riscos e fortalecer a segurança energética
Especialista da AMcom explica como inteligência artificial, análise de dados e monitoramento em tempo real ajudam empresas do setor elétrico a reduzir riscos operacionais diante de eventos climáticos extremos
Os alertas sobre a intensificação do El Niño voltaram a colocar a segurança energética entre os principais desafios da infraestrutura brasileira. Com potencial para provocar períodos prolongados de estiagem em algumas regiões e chuvas intensas em outras, o fenômeno climático amplia a complexidade da operação do sistema elétrico nacional e exige que empresas do setor reforcem sua capacidade de antecipar riscos e responder rapidamente a eventos críticos.
Nesse cenário, a tecnologia passa a desempenhar um papel cada vez mais estratégico para garantir a continuidade do fornecimento de energia. Soluções baseadas em inteligência artificial, análise avançada de dados e monitoramento em tempo real permitem identificar padrões de comportamento, antecipar falhas operacionais e apoiar decisões mais rápidas em ambientes altamente críticos.
Segundo Jonatas Jaqmam, Head of Client Strategy & Solution da AMcom, companhia brasileira especializada em soluções de tecnologia para operações críticas, os eventos climáticos extremos evidenciam uma mudança importante na forma como o setor elétrico precisa enxergar a gestão de riscos.
"Durante muitos anos, a discussão sobre segurança energética esteve concentrada na capacidade de geração e na expansão da infraestrutura. Hoje, existe uma camada igualmente importante: a inteligência sobre a operação. Quanto maior a capacidade de integrar dados e antecipar cenários, mais preparada a empresa estará para responder a situações críticas com rapidez e segurança", afirma.
A utilização de plataformas inteligentes permite consolidar informações provenientes de diferentes sistemas operacionais, ativos de campo, sensores e bases históricas para oferecer uma visão integrada da operação. Com isso, gestores conseguem identificar comportamentos fora do padrão, prever possíveis impactos e priorizar ações preventivas antes que ocorram interrupções ou degradação dos serviços.
Essa capacidade ganha ainda mais relevância em um setor cuja operação depende de decisões tomadas em poucos minutos. "O grande diferencial da inteligência artificial não é substituir a tomada de decisão humana, mas ampliar a capacidade analítica das equipes. A tecnologia consegue processar grandes volumes de dados em tempo real, identificar relações que muitas vezes passariam despercebidas e gerar informações qualificadas para apoiar decisões estratégicas em operações críticas", explica Jaqmam.
A transformação digital também tem permitido que empresas do setor evoluam de um modelo predominantemente reativo para uma gestão baseada em previsibilidade. Em vez de atuar apenas após uma ocorrência, distribuidoras, transmissoras e operadores podem utilizar modelos analíticos para monitorar continuamente a operação, identificar tendências e agir preventivamente sempre que houver aumento na probabilidade de falhas.
Para Jaqmam, a tendência é que eventos climáticos extremos se tornem cada vez mais frequentes, tornando indispensável que o setor invista não apenas em infraestrutura física, mas também em inteligência operacional. "A resiliência do sistema elétrico dependerá cada vez mais da combinação entre pessoas, processos e tecnologia. Empresas que conseguirem transformar dados em decisões rápidas estarão mais preparadas para enfrentar um cenário climático cada vez mais imprevisível e garantir maior segurança para toda a sociedade", conclui.