20/03/2025

Sustentabilidade no cooperativismo: um pilar para o crescimento e a competitividade

A adoção de práticas sustentáveis fortalece as cooperativas, reduz impactos ambientais, melhora a qualidade de vida das comunidades e aumenta a atratividade do setor para investidores e associados

As cooperativas desempenham um papel essencial na construção de uma economia mais equitativa e responsável. O Anuário do Cooperativismo 2024 indica que o Brasil possui mais de 23,4 milhões de cooperados e que instituições do gênero empregam mais 550.611 profissionais – englobando uma movimentação financeira que atingiu R$ 692 bilhões. O modelo de negócios que vem crescendo no país destaca um outro tema tão relevante quanto as consequências positivas da sua atuação: a sustentabilidade como impulsionadora de inovação e engajamento. 

“Baseado na cooperação e na participação coletiva, esse sistema encontra na sustentabilidade um caminho natural para garantir a perenidade das suas atividades e o bem-estar das comunidades onde está inserido. Assim, a sustentabilidade é, por si só, um pilar fundamental do cooperativismo, reforçando seu compromisso com o desenvolvimento econômico, social e ambiental”, explica Sharon Haskel Koepsel, consultora de Governança Sustentável do escritório Flávio Pinheiro Neto Advogados e profissional com mais de 12 anos de vivência em práticas de sustentabilidade no cooperativismo

A especialista destaca que a implantação de processos sustentáveis no cooperativismo contribui para a otimização do uso de recursos naturais, reduzindo desperdícios e promovendo a economia circular, educação ambiental, geração de empregos verdes e incentivos a práticas de consumo consciente. “Quando falamos de cooperativismo, por si só, estamos falando de fortalecimento da economia de uma comunidade.  É a união dessas pessoas para que todos juntos consigam prosperar e se desenvolver, principalmente focando o viés financeiro, em um cenário que talvez individualmente eles não conseguiriam ter essa força competitiva no mercado”, comenta a especialista.

O próprio Banco Central elenca as cooperativas entre as protagonistas no desenvolvimento da economia do país, por tudo o que elas possibilitam no coletivo. Como exemplo ilustrativo, Sharon traz as cooperativas agrícolas: o produtor sozinho, individualmente, talvez não consiga comprar insumos com a mesma facilidade e preço em relação a outro produtor cooperado – o que vai influenciar na sua competitividade.  No coletivo, ele consegue comprar matéria-prima e insumos mais baratos, obtém melhores preços de competição e pode, inclusive, expandir o abastecimento para grandes centros comerciais e mercados. As cooperativas de crédito, com taxas mais acessíveis que os bancos tradicionais, além de benefícios que facilitam a obtenção de recursos, seguem a mesma lógica econômica-sustentável de ir além pela união.  

Aliado a isso, iniciativas ambientais como investimento em fontes alternativas de energia, implementação de programas de reciclagem, destinação correta de rejeitos e a promoção de campanhas, além do foco social, com treinamentos para associados e colaboradores são algumas das ações que elevam as cooperativas a um outro patamar de negócios. Mensurar esse processo também deve ser um hábito, pois traz mais efetividade para as condutas sustentáveis dentro das cooperativas.   

“No cenário atual, empresas e consumidores valorizam cada vez mais a responsabilidade socioambiental. Por isso, cooperativas que investem em sustentabilidade estão mais bem posicionadas no mercado, atraindo novos associados e investidores, aumentando a sua competitividade e fortalecendo sua marca”, reforça Sharon.


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Créditos: Reprodução Freepik
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